É marketing, comunicação ou futebol?

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Faz algum sentido, conceder entrevistas coletivas sem informações ou notícias para transmitir? No esporte, sim. Por quê? Porque elas servem ao uso inteligente da mídia espontânea – mídia gratuita – para exposição das marcas dos times e dos patrocinadores. Nelas, o assunto é detalhe. O conteúdo são as marcas.

No futebol há a rotina de entrevistas coletivas depois dos treinos e das partidas. Após as partidas, falam os técnicos, para dar explicações sobre o resultado do jogo. Depois dos treinos, os jogadores, uma questão, que parece simples, mas que cria confusão e atritos na gerência de um clube. No Fluminense, eu conhecia e enfrentei muitos.

Houve, por exemplo, ocasiões em que nenhum jogador quis falar depois do treino e os gerentes do departamento de futebol defendiam a atitude, porque, afinal de contas, os jogadores precisam ser poupados para os jogos. Um erro de avaliação. O departamento de comunicação e assessoria de imprensa, por sua vez, entendia o contrário, porque o ato poderia representar um desrespeito ao trabalho profissional dos repórteres setoristas. Uma atitude de cordialidade, mas que nada tem com o objetivo do evento.

O prejuízo seria dos patrocinadores e da marca do time, fontes importantes dos recursos que sustentam o clube e suas atividades principais, futebol, marketing e comunicação.

Para resolver o impasse, no Fluminense naquele tempo, criamos uma escala. Ótimo, no primeiro momento, porque, para fugir dela, o escalado se fazia de esquecido e, quando a assessoria de imprensa imaginava tê-lo ainda no vestiário, o cara já estava no carro à caminho, Deus sabia lá de onde.

Outro problema surgia, quando os jogadores usavam as entrevistas para passar recado. Algo do tipo, salários e direitos de imagem sendo pagos com atraso e coisas tais. Era preciso impedir, mas sempre surgia uma figura ou outra com o argumento de defender o direito constitucional à livre manifestação e repudiar a censura. Estupidez! Imaginem o que seria a Angélica e o Luciano Huck na peça publicitária da Perdigão, com o direito constitucional à livre manifestação, para falarem dos problemas que tiveram com o acidente aéreo.

Num ambiente de muita tensão e emoções fortes como é o da gestão de um clube de futebol, o desastre é vizinho sempre presente, quando falta conhecimento sólida do objetivo de cada função ou atividade. Desastre que queima dinheiro alto!

As entrevistas coletivas e aquelas que acontecem na beira do mundo são, então, atividades de marketing, para exposição das marcas. Serão de comunicação, quando usadas para transmitir notícias ou informações importantes embaladas pelas marcas expostas. E, são sempre eventos do futebol, porque sem ele, todo o resto de nada vale.

Por Jackson Vasconcelos

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