Dunga, uma entrevista que assusta!

Comecei a ler. Não acreditei no que li. Voltei a ler. Diante de mim estava a entrevista do Dunga, técnico da Seleção Brasileira à revista ISTOÉ (Suplemento 2016). Empaquei na informação sobre o tempo que ele terá para preparar a seleção de futebol para os jogos do Rio: quinze dias. E, ele diz que em Pequim, em 2008, foram dez. Como o cara é gaúcho, reagi: barbaridade!

Mas, vem em seguida, a dúvida de saber como é no resto do mundo, na vida dos atletas.  Dunga responde: “Os adversários trabalham com atletas para a Olimpíada durante dez anos”. O Brasil é mesmo um absurdo, quando o tema é planejamento.

Em outubro de 2009, sete anos antes da realização dos jogos, o País foi escolhido sede das Olimpíadas de 2016, uma chance e tanto de explosão de imagem positiva, que poderia agregar ao pacote de adaptações na infraestrutura, a qualidade dos atletas brasileiros.

Mas, por aqui se faz sem esforço o caminho do vexame para o Brasil, em todos os campos, da política ao futebol. Muito por desonestidade, mas também pela incompetência de trabalhar no afogadilho, sem planejar. Obras de infraestrutura até dá pra tocar assim, porque no final, como aconteceu com os estádios, a sociedade paga um preço bem acima do que pagaria se houvesse planejamento. Com a formação de atletas e composição dos elencos, não funciona. Por isso, somos, no presente, o País do “7×1”, quando chegamos, antes, a conquistar o Penta.

Dunga fecha com chave de ouro ao responder sobre o local dos treinos. Ele, novamente, citou Pequim-2008: “Ficamos concentrados em um hotel, mas era dentro da Vila Olímpica. Meus jogadores podem sair para conviver com outros atletas. É bom para o crescimento ver outros atletas. É bom para o crescimento ver outros esportes, acompanhar os treinamentos. Ao conhecer as dificuldades dos outros, tu vês que os seus problemas não são tão ruins assim”.

Barbaridade!

Por Jackson Vasconcelos

Foto: Agência Reuters

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