Dornelles e a pena de morte!

Apresentação1Um caso de estupro coletivo ocorrido no Rio com cenas divulgadas na internet fez o tema retornar ao debate. Muitas mulheres foram para as ruas em passeatas e para a internet. Os colunistas dos jornais e comentaristas de TV atiçaram os comentários. Os políticos disputaram uma corrida de obstáculos para tirar proveito do fato, com discursos e sugestões de solução.

O governador do Rio, Francisco Dornelles, propôs a pena de morte. Ato melhor do que do seu colega de partido, Paulo Maluf, que orientou os estupradores do mundo todo: “estuprem, mas não matem”. Regra que os autores e atores do estupro coletivo ocorrido no Rio, cumpriram fielmente.

Mas, à medida que o tempo passa o estupro coletivo divulgado na internet segue o caminho de outros e cai no esquecimento, que faz com que a cada minuto uma mulher seja agredida no Brasil e denuncie. Mas, há as que não denunciam e, certamente, o número das agressões suportadas em silêncio são maiores.

Os casos levados às delegacias mostram que 55% das agressões contra mulheres foram na própria residência e 62% delas tiveram os maridos como agressores. É o caso que houve com a esposa do deputado federal Pedro Paulo, que somou às agressões físicas a decisão de humilhar a vítima com o pedido, sofridamente atendido, para que ela, numa entrevista coletiva, assumisse ter apanhado uma só vez, razão para perdoar o agressor.

Apesar do fato, o cara de pau permanece candidato a prefeito do Rio, com as bençãos de cada membro do PMDB e dos partidos aliados que o apoiam. É há no grupo de apoiadores, curiosamente, homens e mulheres e os dois governadores do Rio, aquele que por enquanto trabalha como tal e aquele que trata da saúde.

Como eleições no Brasil ainda são compradas a peso de obras e dinheiro vivo, o Pedro Paulo até tem chances de ser prefeito do Rio, para gáudio de todos os seus apoiadores, inclusive, do próprio Francisco Dornelles, que propõe pena de morte para quem estupra, mas o mandato de prefeito do Rio para aqueles que batem, mas não estupram.

De todas as situações tipificadas no Código Penal como crimes, as mais cruéis e covardes, são contra crianças e mulheres, atos de absoluta covardia. É a ação do mais forte contra alguém mais fraco e, em muitos casos, indefeso.

Um homem agredir uma mulher com violência física ou verbal, humilhação e estupro, é um ato de covardia. Um adulto agredir uma criança, da forma que for, é também um ato de covardia. E todas as pessoas que pela ação direta ou omissão curvam-se aos covardes, também o são.

De todas as formas de violência, o estupro é o mais covarde, o mais hediondo. Contudo, ele corre solto e as estatísticas não melhoram, porque prevalece a impunidade e ela tem tudo a ver com as falhas no sistema de investigação, julgamento e punição. No Rio, só 6% dos casos denunciados se transformaram em processos e desses não se sabem quantos chegaram a ser julgados e terminaram em punição efetiva e exemplar.

Retorno, então, ao caso do deputado Pedro Paulo, que mofou na delegacia por anos e, mesmo depois de denunciado ao público, continua a navegar em águas calmas, agora no Supremo Tribunal Federal, que, certamente, não teve tempo para cuidar do processo, porque os ministros andavam mais interessados com a tabela do aumento dos próprios salários.

O Brasil é caso de causar pena. Infelizmente.

Encerro com uma sugestão aos eleitores. Não podemos impedir pelo voto o risco de o deputado Pedro Paulo ser eleito prefeito do Rio, mas podemos sim mostrar a nossa indignação com o fato de ele ser deputado federal e candidato a prefeito. Um bom caminho será não votar nos candidatos do partido dele e dos partidos que compõem a aliança que pretendem elegê-lo. Já seria uma contribuição é tanto.

Por Jackson Vasconcelos

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