Comunicação demolidora!

A incompetência ainda não conseguiu tirar completamente a graça, a criatividade e o bom humor da comunicação no futebol. Muitas vezes até tenta, mas ainda há vida inteligente em alguns cantos. É o que se pode perceber quando se lê a notícia publicada no site do GloboEsporte.com, na segunda-feira.

Reproduzo:

“Para fechar um dia de interação nas redes sociais, o Corinthians postou na noite desta segunda-feira em sua conta oficial do Facebook um vídeo provocativo ao Flamengo e à sua torcida, dizendo que “a Fiel é a maior do Brasil”.

– As pesquisas e a teoria podem até falar que não, mas a prática mostra que a Fiel é a maior do Brasil! Boa noite a corinthianos e flamenguistas – dizia o texto corintiano.

O início do caso foi uma discussão bem humorada nas redes sociais entre os dois clubes que têm as maiores torcidas do Brasil, com o time flamenguista na liderança. Tudo por causa de uma mensagem de apoio postada aos rubro-negros após a derrota por 1 a 0 para o Vasco, no domingo, pelo Brasileirão.

Em um post na rede social, o Fla postou a frase “Eu nunca vou te abandonar”, utilizada pela torcida e depois pelo marketing do Corinthians na época do rebaixamento do clube, em 2007. Desde então, o grito se tornou hi t na torcida alvinegra e é até hoje lembrado na nova arena alvinegra.

O Corinthians tomou conhecimento da postagem e acionou suas redes sociais para cobrar créditos pela frase. Em tom de bom humor, a conta do Timão respondeu da seguinte maneira.

– Alô, Flamengo! O post ficou muito legal. Parabéns! Só faltou o crédito do texto: Fiel Torcida do Corinthians.

O departamento de marketing do Corinthians tentou primeiro responder dentro da própria postagem do Flamengo antes de encaminhar o conteúdo para sua página. A resposta ficou alguns minutos fora do ar, e depois reapareceu com uma réplica rubro-negro também cheia de bom humor.

Com uma foto de Paolo Guerrero, transferido recentemente do Timão para o Fla, o clube carioca tripudiou:

– Desculpa. Por tudo. Respeitamos muito a segunda maior torcida do país. Tudo certo?

O Timão respondeu pedindo mais uma vez o crédito, lembrando que é o clube brasileiro com maior número de seguidores na rede social”.

A equipe de comunicação do Fluminense, antes de ser mutilada pelo presidente do clube, fez algo parecido e eu, diria, melhor. Dois posts publicados no facebook oficial, são um em fevereiro e outro em maio de 2014, são bons exemplos. Um deles citei no “O Jogo dos Cartolas: Futebol e Gestão”.

Post.Walter       Post.FluxSP

Hoje a comunicação do Fluminense tem uma pegada diferente, como mostra o vídeo postado pelo clube na internet, depois da vitória de 2×1 sobre o Goiás. Uma mão trêmula, amadora, fez as imagens e, por isso, há sequências que chegam a deixar tonta a audiência. O fundo musical é pobre no primeiro momento e divorciado do contexto no segundo. É o anúncio fúnebre de uma vitória, que tem o significado maior de colocar o Fluminense no G4.

O roteiro, se existiu um, fez do Vice-Presidente de Futebol o ator principal da peça. Talvez por ser ele candidato declarado à Presidência do Clube, numa eleição em que votarão os torcedores. Ele aparece em quase todas as cenas, inclusive, na beira do campo para receber o abraço afetuoso dos jogadores quando saíam do campo. Recebeu também o mais efusivo, do seu Diretor Executivo. O “The End” – as palavras finais – são os “caralhos” na boca dele e do treinador. Tudo para ficar evidente a condição do candidato como torcedor que saiu das arquibancadas para a política do clube. Veja abaixo:

Encerro com duas observações que julgo interessante para o caso. Uma é do publicitário Fernando Guntovitch e conclui o artigo que ele publicou na última edição da revista Meio & Mensagem: “Você já entregou o que o seu consumidor espera da sua marca? E, mais importante: está disposto a fazer com que essa entrega não seja apenas um momento e sim um movimento?”.

A outra foi deixada pelos hindus. Para eles, os “vedas” (hinos, orações, mantras) adquiriram importância tal que o menor erro na pronúncia, na acentuação tônica ou na metrificação era suficiente para anular o valor dos sacrifícios (Harold Lasswell).

Por Jackson Vasconcelos

Foto capa: Agência O Globo

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