Como se virar com as arenas vazias

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A matéria intitulada “Brasil que se vire com as arenas vazias, diz Fifa”, publicada no último sábado, 21/03, no jornal Estado de São Paulo, causou rebuliço. A Fifa se pronunciou ao ser questionada sobre as dificuldades de se administrar os estádios construídos/reformados para a última Copa do Mundo.

A Fifa apenas disse o óbvio: o problema agora é nosso. O Brasil aceitou todos os critérios previstos no caderno de encargos da entidade internacional ao se candidatar como país-sede da Copa. Se os estádios ou as cidades onde foram feitos esses aparelhos hoje não correspondem às expectativas geradas, talvez seja hora de um mea culpa dos organizadores brasileiros.

Fica claro que os projetos careceram de planejamento. Não houve o envolvimento de quem assumiu agora esses estádios e também não houve pesquisa sobre o que realmente incomoda o torcedor nos estádios brasileiros. Grandes gastos foram investidos em projetos numa leitura estritamente rígida em cima dos encargos da Fifa. Gastaram muito e não pensaram no futuro.

Novas arenas, por si só, numa análise média, não geram maiores públicos sozinhas. Há a necessidade de uma estrutura logística e de serviços voltados às necessidades dos torcedores.

Numa análise fria e rápida por aqui, percebe-se que torcedores não pedem granito nos banheiros, assentos removíveis ou telas de LED de última geração. Pedem um jogo bem jogado, com venda fácil e bem comunicada de ingressos, oferta de bens de consumo de qualidade em dias de jogos e fora deles, um atendimento digno na solução de problemas e também na logística entre seu lar e o estádio, num horário digno.

Até aqui, optaram pela implementação de um modelo de diretrizes sobre como se deve ir ao estádio torcer pelo seu time do coração, na data e horário que melhor convém aos organizadores. Não prezaram pelo que convém a quem realmente sustentou o futebol até hoje e bancou todas essas obras citadas: ele, o torcedor brasileiro.

E senhores, não existe doença curada sem a devida diagnose.

– “Brasil que se vire com as arenas vazias, diz Fifa” (ESTADÃO)

Por Carlos Eduardo Moura

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