CBF, jeito brasileiro de ser

raposa-galinheiroColocada sob fogo cruzado, a diretoria da CBF resolveu reformar para não cair. Criou um comitê com 17 notáveis e encomendou um trabalho, bonito na aparência, mas inócuo no contexto em que se encontra o principal produto da Confederação, o futebol brasileiro.

Portanto, a contar da quinta-feira passada, durante algum tempo, 17 pessoas escolhidas a dedo pelos senhores que poderiam ser, a qualquer momento, expurgados do futebol brasileiro, estarão ocupadas com reuniões, salamaleques, entrevistas, relatórios, viagens, audiências para no final, tudo ficar como sempre foi.

Não duvidem. Será assim, porque esse é o jeito brasileiro de lidar com os problemas. A gente não os resolve pelas causas e, por isso, não os resolve nunca. Resolvendo-os pelas consequências a gente não coloca em risco as causas, pilares de sustentação das elites que comandam os diversos segmentos da sociedade brasileira.

Pra não perder o Brasil, quando tudo indicava que perderia, Portugal autorizou um português proclamar a independência da Colônia. A escravidão poderia encerrar mais cedo o tempo da monarquia. Então, o monarca, pela pena da filha Isabel, dispensou os escravos. Largou-os no mundo.

Passo seguinte, as elites entenderam que poderiam ruir abraços com o Imperador. Proclamaram a República e seguiram no comando.

Em tempos mais recentes, os generais, quando sentiram que o poder escorria pelos dedos com riscos sérios de prisões e revanches, organizaram a própria saída com a lei da anistia, ampla, geral e irrestrita.

No Congresso Nacional, transformado em Constituinte, nasceu o Centrão, para dar freios à nova Constituição e garantir que tudo, no poder, permaneceria como sempre fora.

Por que com a CBF seria diferente?

Não será e com a mesma expectativa Juca Kfouri escreveu “As raposas no galinheiro”, publicado na Folha de São Paulo de hoje (clique para ampliar).

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Por Jackson Vasconcelos

 

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