Eleição é uma lavoura

“Eleição é uma lavoura”. A lição é do ex-prefeito César Maia e eu a aproveitei em um dos capítulos do livro que escrevi sobre a utilidade que tem a estratégia nas campanhas eleitorais, “Que raios de eleição é essa?”.Escrevi o livro e publiquei pela “Livros Ilimitados” no meio do ano de 2017. O título respondeu a minha dúvida sobre o que seria a eleição de 2018, porque eu percebia, desde as campanhas de 2016, para as prefeituras e câmaras municipais, que algo bem estranho estava para acontecer. E aconteceu. 

As situações inusitadas, depois que ocorrem, autorizam todo tipo de avaliação e teorias sobre as suas causas. Por isso, muita gente atribuiu a vitória do presidente Jair Bolsonaro e da turma de deputados, senadores e governadores que ele carregou para o poder, ao sucesso do trabalho deles nas mídias digitais. Sim, mas não foi só isso, afinal, “Eleição é como lavoura. Os meios de comunicação irrigam, mas só o contato direto semeia”, diz o mago Maia. 

A campanha do presidente Jair Bolsonaro durou quatro anos e não 45 dias. Grande parte dela aconteceu nas ruas e toda ela nas redes, em conexão direta entre umas e outras. As ruas e as redes criavam os fatos, todos estridentes, que alimentaram os eleitores. E, o presidente ainda contou com a ajuda dos adversários. No correr da campanha, os adversários do Jair Bolsonaro perderam as agendas próprias e passaram a funcionar como instrumentos de percussão da música radical do candidato que queriam combater. E quem perde a agenda, perde a eleição. Não tenham dúvida. O resultado da estratégia correta de 2018 governa o Brasil e poderá continuar governando após o primeiro mandato se a oposição não resolver criar uma agenda própria. 

Estamos em ano de eleição municipal e, permitam-me dizer, com o risco até de parecer arrogante; Rede sem rua e sem o discurso adequado é risco de derrota. Sem estratégia, pior ainda. E não tem dinheiro no mundo que resolva isso. 

O exemplo mais recente chegou para nós há pouco, ainda com o calor do forno, vindo dos Estados Unidos. Por lá acontecem as prévias do Partido Democrata para a escolha do candidato que enfrentará o presidente Donald Trump, que está em campanha pela reeleição. Na semana passada aconteceu a Super Terça, dia em que a maioria dos estados americanos realiza, ao mesmo tempo, as eleições primárias. No mundo todo houve expectativa positiva com o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, porque ele vinha despejando uma fortuna na TV, em valores muito acima do usado pelos adversários principais dele, Joe Binden e Bernie Sanders. Binden e Sanders usaram a TV, as mídias digitais e não dispensaram o corpo a corpo e as viagens cansativas de uma ponta a outra dos Estados Unidos. O ex-prefeito Bloomberg jogou todas as fichas na TV, numa campanha de comunicação até bem feita. O resultado das estratégias de Bloomberg, Sanders e Binden está posto. Bloomberg só venceu no território não incorporado, Samoa Americana. E aí eu completo a lição do mago César Maia: “Aperte a mão e ganhe o coração”.

Provavelmente, Joe Binden enfrentará o presidente Donald Trump e para chegar até aqui ele contou com a ajuda do adversário, que lhe deu de presente um ato de perseguição e de acirramento com os democratas. Uma situação que só não custou o mandato do presidente Trump, porque, abriu-se o processo de impeachment no último ano do mandato do presidente, estando ele bem avaliado e já em campanha pela reeleição. Os senadores Republicanos preservaram Trump,  porque seria uma estupidez entregar aos Democratas um fenomenal argumento de campanha num ano de eleição. Tudo em nome da estratégia.  

As primárias nos Estados Unidos quase me matam de inveja. Penso sempre, como deve ser bom estar filiado a um partido que ouve você na escolha dos candidatos que apresentará aos eleitores! Como é bom para os eleitores uma campanha de um ano inteiro de contato com os candidatos, num processo que facilita a avaliação e a escolha. Como é maravilhoso fazer parte de um país onde as campanhas eleitorais são a festa da democracia e nunca, nunca mesmo, atos censurados e repugnantes.

Por aqui, ao que parece, nem os candidatos gostam muito de campanhas. Por isso, quando eleitos e empossados no Congresso Nacional fazem leis que castram a criatividade, reduzem o prazo para a avaliação dos candidatos pelos eleitores e matam a festa e a beleza das campanhas. Mas, um dia isso foi diferente e pasmem, aconteceu quando a ditadura ainda andava por aqui.  

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

“Liberais de Laboratório”

A campanha para as eleições deste ano já começou. A revista Piauí, na última edição dela, em forma de matéria, apresentou aos candidatos e candidatas, um curso de formação política, de certo modo, bastante conhecido, o Renova. Ele é uma iniciativa de um conjunto de pessoas que têm a vida profissional e financeira resolvidas e, quem sabe, poderão aproveitar-se dela adiante, como pode acontecer com o apresentador Luciano Huck.  A Piauí diz que, “tão logo foi anunciado, o Renova ganhou o apelido de “fundo eleitoral do PIB”. Certamente! 

Na capa da revista, a manchete é “Liberais de Laboratório”, colocada em cena por uma caricatura onde o ministro Sérgio Moro é o monstro Frankenstein e o presidente Jair Bolsonaro um cientista maluco, que Frankestein suspende pela gola do jaleco num ambiente medonho onde um corvo e morcegos habitam. No fundo do quadro está o Congresso Nacional, tomado por alguns, mas não por poucos, como a Geni ou o Judas, personagens com encontro marcado com o povo nas ruas nos próximos dias. 

Na caricatura, o presidente segura uma ampola de laboratório de onde cai uma mistura química qualquer. Sabe-se lá o que quis dizer com ela o desenhista. Mas, pela manchete, está claro, que o autor da matéria, Luigi Mazza entende o Renova como uma escola de formação de liberais – “liberais de laboratório”. O líquido poderia ser, portanto, o elixir da transformação política. 

Quando se deu título “Escola Sem Partido” à matéria no interior da revista, tentou-se dizer que a escola forma candidatos respeitando a ideologia de cada um. A capa é o “ato falho”. Ela e o conteúdo da matéria mostram que a escola pode sim receber alunos defensores de qualquer ideologia política, mas terá o trabalho de transformá-los, durante o curso, em liberais, “liberais de laboratório”. 

A revista listou as qualidades do curso e nominou os currículos e fama dos professores e elaboradores da grade curricular. Citou o selo de qualidade que o curso representa para quem queira escolher e financiar candidatos. É uma grife! Uma nova grife na política.  

Essa coisa de curso de formação política não é algo novo. Novo é tê-la desvinculada dos partidos, por estratégia de conquista do poder. 

Tempos atrás, o Partido da Frente Liberal, PFL fez a primeira experiência mais recente de oferecer aos filiados, cursos de formação política. Dele nasceu um dos melhores cadernos de defesa da ideologia liberal. A intenção não era escamoteada. O ex-vice-presidente Marco Maciel publicou ali seus melhores textos de aula. 

Depois, o ex-deputado federal Álvaro Valle, falecido antes dos 70 anos de idade, saiu do PFL e criou o Partido Liberal, PL, e fez dele uma escola de formação política, também não escondendo o objetivo de formação ideológica. 

Os atuais cursos de formação política do estilo do Renova atuam contra os partidos, para deles se utilizar como depósitos de candidatos. Pobre gente rica, que subestima a sagacidade dos políticos, que já começaram a desconfiar que estão sendo usados. Vejam o caso da deputada federal Tábata Amaral, formada pelo “laboratório de liberais” e enxertada num partido socialista. Ciro Gomes não precisou queimar muito a massa cinzenta e raivosa dele para concluir que os modernos cursos de formação política nada mais são do que “partidos clandestinos”- palavra dele. 

Quando os partidos fecharem suas portas para a turma do Renova, o que farão os seus financiadores? A matéria da Piauí mostra ser dispensável a preocupação, porque o Novo já topou esse papel e o Cidadania, do ex-deputado federal Roberto Freire, se prepara para ser também alternativa. Nesse caso, uma transformação e tanto, para um partido que foi partido comunista (partidão), depois Partido Popular Socialista e topa ser o berço dos novos “liberais de laboratório”. 

A política é assim: nela cabem todos e ninguém precisa dizer ser o que não é. Os tempos modernos são tempos de autenticidade. Quem queira ser curso de formação que seja, mas que diga, com franqueza, com que propósito.  

*Texto publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

A primeira lei de Newton

Do meu amigo, Rubem Medina, recebi a última pesquisa da XP Investimentos, que foi ao campo nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro, para ouvir 1.000 pessoas sobre o desempenho do governo do Presidente Jair Bolsonaro. 

A pesquisa mostra que antes da posse dele, 63% da população acreditava que o governo seria ótimo ou bom. Uma expectativa natural para o início de um mandato que, no entanto, mudou rápido até chegar à 34% e, praticamente, estacionar aí. A expectativa de o governo ser ruim ou péssimo esteve, no início do mandato, em 15%. Hoje 33% da população já acreditam que o restante do mandato poderá ser ruim ou péssimo. 

Os dados me autorizam afirmar, então, que no ar paira alguma decepção. Mas, com o quê? O que prometeu o governo? 

Jair Bolsonaro assumiu o compromisso de evitar a corrupção, enfrentar o crime, proteger os costumes dos conservadores e destravar a economia, travada pelo Estado.  

Sobre a corrupção, a pesquisa mostra que no mês da posse, 16% das pessoas acreditaram que nos seis meses seguintes a corrupção teria diminuído ou diminuído muito. Agora, em fevereiro, 33% acreditam nisso para os próximos seis meses. Uma evolução a favor do governo. Na outra ponta, 54% das pessoas ouvidas tinham a expectativa de aumento da corrupção nos seis meses seguintes. Hoje, apenas 28% acreditam nisso. Outro dado altamente favorável ao governo. Então, no quesito percepção da corrupção o governo vai bem. 

No combate à violência, a pesquisa mostrou que 47% acreditam que a violência e o crime diminuíram. Só 20% têm o sentimento de que aumentou. Então, aqui também o governo se sai bem. 

Sobre a economia, os dados mostram que 47% acreditam que a economia está no caminho certo e 40% acreditam que não. O governo vence, mas por pouco. Existe um racha na população. 

A expectativa com a economia é, portanto, o quesito frágil. No entanto, o governo Bolsonaro está blindado neste campo, porque só 15% dos eleitores lhe conferem culpa pela desaceleração ou crescimento pífio. 55% creditam o resultado ruim aos governos de Lula (31%), de Dilma (13%) e de Temer (11%). E há os que creditam o resultado a fatores externos, (13%). Então, para 68% da população, os resultados econômicos ruins ainda não atingem o governo. 

Que maravilha de cenário! Ah se o governo aproveitasse melhor esse momento! Mas, apesar de tudo isso, percebe-se que o governo se atrapalha ao mesmo tempo em que passa a ideia de estar inerte diante dos problemas nacionais. 

Para falar de inércia, ninguém melhor que o físico Isaac Newton. Diz ele:  “Se a força resultante sobre um corpo é nula, ele permanece em repouso… Um corpo em repouso tende, por inércia, permanecer em repouso… Para que as tendências inerciais de um corpo sejam vencidas, é necessária a intervenção de uma força externa”. 

O governo precisa de aceleração. Tudo indica que a vontade do governo – pelo menos de alguns de seus agentes –  seja caminhar para a frente, para ampliar o número de pessoas que acham o governo ótimo e bom. Mas, Jair Bolsonaro e alguns de seus ministros não ajudam. 

A oposição, evidentemente, tem preferência natural por empurrar o governo na direção do ruim e péssimo, mas não parece saber exatamente como fazer isso. Busca auxílio na segunda parte da primeira lei de Newton: tanto mais atrito menos aceleração. Toda vez que o governo se mexe, a oposição cria atritos e, curiosamente, tem contado com a ajuda do presidente e de alguns de seus ministros. Eta gente que gosta de atritos, de confusão! 

A pesquisa XP mostra que, por enquanto, há paciência na população, mas, a qualquer momento isso pode mudar e, se e quando mudar, o governo terá conseguido a façanha de transformar uma oportunidade de ouro em uma ameaça e tanto. Aguardemos. 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

Os bodes e as ovelhas

Por favor, não me queira mal quem se sentir contrariado. Longe de mim – bem longe – passa a intenção de ferir alguém com o artigo de hoje. Piso devagar, porque do jeito que as coisas andam no mundo, assumir posições num campo polêmico pode representar um ato de coragem física, que não tenho muita. A coragem intelectual é atributo ultrapassado, porque os ouvidos no debate político são moucos.

O mundo está, no momento, nos extremos. Uns à esquerda e outras à direita. O centro até tenta existir novamente, mas ficou insosso, sem graça, sem argumento. Ninguém cai no bate dele. 

O meu primeiro contato na vida com os termos, esquerda e direita, aconteceu numa Escola Bíblica Dominical, de uma igreja batista, eu, ainda, no início da adolescência. Fiquei encucado com um texto presente no capítulo 25 do livro de Mateus. Lá está profetizado o Juízo Final, chamado de “Julgamento das Nações”.  

Num determinado momento, quando o mundo acabar, o Justo Juiz reunirá todas as nações diante dele e apartará uma das outras, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas. Ele porá as ovelhas à direita dele e os bodes à esquerda e dirá aos que foram colocados à direita: 

“Vinde benditos do meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo, porque tive fome, e deste-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me. Estava nu, e vestistes-me…”.

O público escalado questionou: “Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer ou com sede e te demos de beber?”. 

O Justo Juiz responderá: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. 

Então, o Justo Juiz dirá aos que foram colocados à esquerda: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”.

E o enredo se repetirá  e a resposta surgirá com sinal trocado: “Senhor, quando te vimos com fome ou com sede, estrangeiro ou nu, enfermo…” etc e não te servimos?” A resposta foi: “Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim também.”

Mas, para dar de comer a quem tem fome e beber a quem tem sede, hospitalidade ao estrangeiro e atender aos enfermos, pensava eu, preciso ter tudo isso para oferecer. E se ninguém tiver o que oferecer? O que fará o Justo Juiz?  

Depois daquele tempo, todas as discussões que tenho conhecido sobre direita e esquerda fazem referência ao papel do Estado e ao uso que um lado e outro esperam conseguir dele. Poderia o Estado ser o supridor universal? Aquele que daria de beber a quem tem sede e comer a quem tem fome e cuidar dos enfermos? Sim, poderia e muitas vezes pretende fazer isso. Nunca consegue, porque, quem daria ao Estado as condições para suprir quem precisa dele? Os pagadores de impostos. Simples assim. 

A esquerda, por tudo o que propõe no mundo todo e não é diferente aqui, nitidamente,  desconhece um Estado dependente dos pagadores de impostos. Um Estado que, tanto mais pesado, menos condições oferece às Nações para produzirem a riqueza que diminui a sede, a fome, a enfermidade. Nações que reduzam o número de miseráveis pelo emprego e trabalho. 

Roberto Campos, um frustrado pensador da direita, já falecido, fez um memorável discurso na Associação Comercial de São Paulo no dia 19 de agosto de 1983, que está presente no livro Ensaios Imprudentes, publicado por ele pela Editora Record, em 1987. Retirei duas citações: 

  1. “O governo nada pode dar ao indivíduo que primeiro dele não tenha tirado”.  
  2. “Os que pensam que o Governo pode dar tudo o que a gente quer se esquecem de que ele pode também tirar tudo o que a gente tem”, citando Richard Nixon. 

A Nação Brasileira tem tido uma dificuldade imensa para produzir riquezas, porque o Estado pesa demais sobre os ombros de quem trabalha e investe. A proposta da direita, representada no governo mais pelo Ministro Paulo Guedes e equipe e menos pelo próprio Presidente, é diminuir esse peso. No Congresso e na imprensa, a esquerda faz o contraponto, batendo-se contra as reformas que o governo pretende fazer. Daí é fácil saber onde estão os bodes e onde se encontram as ovelhas. 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

Deu Parasita!

Paulo Guedes acertou em cheio, gente! O cara é mesmo muito bom. Tem feeling. Deu Parasita no Oscar de melhor filme. 

Para tentar algum sucesso para o meu artigo semanal, serei parasita do Guedes e do Bong Joon-ho e tratarei hoje de uma espécie de parasita bem nacional: os donos dos partidos políticos. 

Esse é o momento para tratar deles, porque fala-se muito por aqui em riscos para a democracia e no berço da mais significativa democracia do mundo, os partidos políticos estão na fase de definir, pelo voto dos filiados e eleitores, os candidatos que irão disputar a Presidência da República. 

Por lá é assim que se dá o começo de uma disputa eleitoral. Por aqui, acontece de maneira diferente. Bem diferente! O dedo indicador dos donos dos partidos faz o serviço completo, sem debates, sem convenções e sem conversa. Eles enfiam goela abaixo dos eleitores os candidatos que querem. 

Talvez, por isso, a democracia que temos seja ainda tão pobre quanto a família de quebrados espertos do filme que levou o Oscar. 

Os donos dos partidos, principalmente, daqueles que têm representatividade para levar seus candidatos aos debates e aos melhores tempos de propaganda eleitoral na TV e no rádio, resolveram evitar uma surra parecida com a que levaram na eleição de 2018, quando nomes novos surpreenderam. Eles, então, neste momento, fecham as portas dos seus partidos para novas lideranças. É fácil perceber isso, quando a gente conversa com quem tem vontade de disputar a eleição para a prefeitura do Rio de Janeiro, por exemplo. E o mesmo movimento deve estar a ocorrer em outras praças pelo Brasil afora. 

A atitude é um abuso, porque os partidos, apesar de terem donos, não são eles os que pagam a conta. Exceto em um, ela é resolvida por todos os contribuintes, entre eles, os que buscam espaço para ingressar na política ou crescer nela. A legislação brasileira não permite candidaturas avulsas e dá aos partidos o monopólio do registro de candidatos. Está posta, portanto, a camisa de força. 

Desse jeito, os donos dos partidos sacrificam a democracia. Com eles, ela corre um risco bem maior do que com as declarações imbecis de quem sai por aí a falar no AI-5 ou  de outras bobagens. Essa situação, posso lhes garantir, é um paradoxo dos tempos novos da política brasileira, porque, na época do generais ditadores, existiu nos partidos a escolha dos candidatos pelo voto dos filiados e com disputas acirradas. A história registra a escolha do Paulo Maluf como candidato à Presidência da República na convenção do PSD, quando ele derrotou, no voto, o candidato dos generais, Mário Andreazza. Sou desse tempo, gente. Eu estava lá. 

Passados os generais, a prática continuou durante algum tempo. Em 1994, o PFL do Rio de Janeiro ficou dividido entre o apoio ao candidato a governador do PSDB, Marcello Alencar e uma candidatura própria, do engenheiro Roberto Procópio Lima Netto. Rubem Medina era o presidente do partido no estado. Houve uma disputa acirrada, numa convenção à qual compareceu, convocado pelo Lima Netto, um observador do TRE-RJ para garantir, não só a lisura da disputa, mas a isonomia das condições dadas às duas propostas. 

Fala-se muito em reforma política. Precisamos mesmo dela, mas só se ela eliminar, de vez, os parasitas que estão entranhados nos partidos políticos. E isso deveria interessar a todos os que disputam o voto dos eleitores, aos da esquerda, do centro e da direita, porque do jeito que estamos caminhando, os eleitores têm resolvido pelo “não voto”,  a dificuldade de encontrar nos pleitos os candidatos que gostariam. E, gente, há risco maior para a democracia do que uma eleição onde os escolhidos são eleitos pela minoria ou sempre pelo voto da rejeição e nunca da esperança. 

É assim que tem sido. É só examinar os resultados das últimas eleições. Daqui a pouco todos deixaremos de votar, porque os nomes que nos apresentam são estupidamente ruins e não há partido por aqui que nos dê melhor escolha.

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

Ao fogo eterno!

Sofistica-se demais o conceito de administração pública e essa sofisticação produz obras, seminários, teses, dissertações, cursos de pós-graduação, MBA e outras causas nobres. 

O conceito de administração pública é simples, complexa, talvez a aplicação e isso, quem sabe, explique toda a parafernália de escritos e ensinamentos. 

A definição de administrador público é de um gerente que cuida dos recursos, patrimônios e dinheiro dos outros. Simples assim. Por honestidade e fidelidade deve aplicá-los onde o dono determina, onde ele deseja, caso contrário, com justiça, o administrador será considerado desonesto ou, no mínimo, um “mordomo infiel”, aquele citado por Jesus Cristo no livro de Mateus, 25, situação de boa lembrança, porque andamos a viver em um  tempo em que os administradores públicos e políticos gabam-se de serem cristãos, especialmente, “terrivelmente” evangélicos. Falam com Deus e em nome dele operam, mesmo que ele, Deus, provavelmente, não os tenha autorizado. 

Em Mateus 25, Jesus Cristo faz referência a um homem que, partindo para o exterior, chamou seus três servos e entregou-lhes os seus bens, a cada um segundo a sua capacidade de trabalho. A um, deu cinco talentos, a outro, dois e ao último, um. Diz o texto: “E tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos. Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. Mas o que recebera um, foi e cavou a terra e escondeu o dinheiro do seu senhor”. 

Algum tempo depois, o senhor daqueles servos retornou e pediu-lhes que lhe prestassem contas. Então, aproximou-se o que recebera cinco talentos e trouxe-lhe outros cinco talentos dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que consegui com eles. O mesmo fez o servo que recebera dois talentos e a cada um dos dois servos o senhor disse: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei.” 

Em seguida, entrou em cena, aterrorizado com o que via, o servo que recebera um talento e avisou “escondi na terra o teu talento: aqui tens o que é teu”. O dono do talento perdeu a paciência. Perdeu a linha e disse: “Mau e negligente servo… Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com juros”. E avisou aos demais: “Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos”. 

O que se pode dizer, com base na parábola, sobre a relação que há entre os contribuintes e os administradores públicos na nossa terra? Não caminhemos longe, não. Fiquemos mesmo na nossa terra, cidade e estado. Somente isso nos basta para entender a parábola. Quanto nos têm devolvido os administradores do dinheiro, patrimônio e recursos que lhes entregamos para administrar? Certamente, eles não nos têm devolvido sequer o valor absoluto.  E se alguma coisa andam a entregar aos bancos, usam mal ou em proveito próprio até os juros. Ou não é essa a leitura fácil e justa do que temos visto no caso da Cedae, dos hospitais públicos, da condição das ruas, das escolas, dos transportes públicos e de todo o resto do patrimônio e do dinheiro que entregamos aos agentes do Estado? 

O que se deve fazer diante desse caso? Que tal seguir o exemplo do senhor da parábola? “Tira-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos”. Como se faz isso? Nas urnas, minha gente. 

Teremos daqui a pouco, um pouco mais, o início das campanhas para escolher prefeitos e vereadores. Que tal mandar para casa ou nem tirar de casa onde hoje se encontram, aqueles que no presente ou no passado detonaram nosso patrimônio e dinheiro, a ponto de até matar pessoas, algumas crianças ainda? 

Tomara façamos isso, porque, se continuarmos a perdoar e dar nova chance aos perdulários, aos que debocham da vontade que temos de dar, nós mesmo, destino ao que é nosso, continuaremos a merecer os castigos que temos recebido.

E quando formos decidir, lembremos, que a esquerda adora Estados grandiosos, cheios de servos com poucos ou nenhum senhor. 

Por Jackson Vasconcelos

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Ouvir, antes de agir… Por favor!

A Cedae é a bola da vez. A Geni. Quem tem espaço para se pronunciar sobre qualquer tema, nos últimos dias escolheu a Cedae. Eu também já fiz isso, num podcast, quando critiquei a comunicação do governo. No jornal O Globo deste domingo, Gustavo Franco deu ao assunto o sugestivo título de “Verão Chernobyl” e abriu o texto com um mal presságio: “O Rio de Janeiro está sofrendo mais um desastre, que pode não ter, até o momento, a gravidade de Brumadinho ou Chernobyl, mas não há dúvida que a dinâmica é parecida.”

Retorno ao tema agora sobre outro aspecto, o da administração pública e peço licença para um exemplo tirado da vida pessoal. 

Ingressei no Banco do Brasil em 1985. Naquele tempo – não sei se a rotina permanece – quem assumia uma função de chefia, sentia-se obrigado a conversar com quem já estava no ambiente, para conhecer os problemas, o andamento dos projetos, as dificuldades e soluções já tentadas, porque, na empresa, quem chefiava não escolhia os chefiados. Eles eram selecionados num processo nacional de avaliação.

Então, sem diálogo com quem já estava no pedaço, um chefe não conseguiria trabalhar e, se tentasse, quebraria a cara.  

Uma situação como a ocorrida com a Cedae pega um governador desprevenido, porque a rotina do serviço público não é a que conheci no Banco do Brasil. Quem assume uma função pública inicia a nova vida com duas prioridades: quem será nomeado para os cargos subordinados e que mirabolâncias deve fazer para ser visto e admirado, tudo isso vinculado diretamente ao objetivo fundamental: manter o poder e disputar novas funções. 

Ora, o governador Wilson Witzel, inesperadamente, venceu a eleição para o Governo do Estado, que ele e todo mundo sabia ter vindo de administrações caóticas. Se tivesse, por um instante, parado para entender a importância e o peso da máquina que teria que governar, certamente, encontraria a Cedae, que fornece um bem essencial, fundamental, indispensável, à vida. Se Witzel e seus escolhidos tivessem sentado por algum tempo com a turma que estava lá na Cedae, certamente, teriam ouvido sobre os riscos da ocorrência que ele, meio assustado e um tanto apressado, tenta enfrentar agora, não para evitar prejuízos à população, mas para diminuí-los. 

Fala-se muito em reforma administrativa, uma das agendas mais velhas do País. No centro está sempre o servidor público, para uns, um folgação irresponsável, para outros, um elemento desprezado, que precisa ser valorizado. Quando no centro de qualquer reforma do Estado Brasileiro estiver colocado o contribuinte, aquele que paga a conta, certamente, as reformas darão melhor resultado. E, uma das coisas que precisa mudar, com urgência, é a cultura de quem busca exercer a função pública, por voto ou por nomeação. 

Quem chega precisa ouvir quem já estava no ambiente, antes de sair a espalhar demissões e encaixar apadrinhados e afilhados com base num projeto de poder que, com certeza, teria melhores resultados se a população fossem bem atendida. 

A verdadeira reforma que o Brasil precisa, eu não duvido, é a da cultura, do modo como se deve tomar decisões.  

Ouvir antes de agir é a melhor estratégia para sustentar um projeto político. Pode acreditar.

Por Jackson Vasconcelos

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Vale a pena financiar a Cultura?

Os gastos do governo com a Cultura são uma ameaça ou oportunidade? Sem Goebbels, Roberto Alvim permaneceria no governo, apesar de todo o resto do tempo dele “à serviço da pátria” ter sido, para nós contribuintes, um amontoado de bobagens sem sentido. Algo bem dispendioso. A demissão dele chega a ser, portanto, um serviço prestado pelo monstruoso canalha genocida Joseph Goebbels. E a colaboração pode ser maior.  

Seria bom dar ao caso Alvim outro destino, que não só o da informação sobre quem foi Goebbels ou de ser um motivo para acusar o ex-secretário de nazista como andam a fazer milhares. Até, porque, se sabe que ele não é. 

Bom seria aproveitar o fato para pensar um pouco sobre a causa de se ter uma estrutura no Estado Brasileiro, custeada pelos contribuintes, só para cuidar da Cultura.  

No Governo Federal, existe uma Secretaria Especial vinculada ao Ministério da Cidadania e já existiram  Ministérios próprios. Nos estados há secretarias estaduais e nas cidades, de qualquer tamanho, congêneres municipais. Essas estruturas são chefiadas, normalmente, por artistas, intelectuais, ilustres acadêmicos e por qualquer um ou qualquer uma que tenha votos ou represente decisões de conveniência nos plenários dos respectivos parlamentos. O que faz e tem feito essa gente? Para que serve? Está aí uma pergunta de dificílima e complicada resposta. Eu diria até constrangedora, quando se vai para a prática. 

O escritor Mário Vargas Llosa responde em “A Civilização do Espetáculo”, obra já citada por mim em outra oportunidade. No capítulo “Cultura, política e poder”, ele aponta duas direções: “Cultura não depende de política, em todo caso não deveria depender, embora isso seja inevitável nas ditaduras, principalmente as ideológicas ou religiosas, aquelas em que o regime se sente autorizado a ditar normas e estabelecer cânones dentro dos quais a vida cultural deve desenvolver-se, sob a vigilância do Estado empenhado em não permitir que ela se afaste da ortodoxia que serve de sustentáculo aos governantes” (Aqui se encaixa o discurso do Alvim). 

“O resultado desse controle, como sabemos”, diz Vargas Llosa, “é a progressiva transformação da cultura em propaganda, ou seja, em sua degeneração por falta de originalidade, espontaneidade, espírito crítico e vontade de renovação e experimentação formal”.

Após dizer o que o Estado, numa democracia não deve ser com relação à Cultura, Vargas Llosa diz o papel que ele pode ter: “O Estado, sem reduzir a liberdade de criação e crítica, deve apoiar e propiciar atividades culturais – na preservação e promoção do patrimônio cultural, acima de tudo – como também porque a cultura deve exercer influência sobre a vida política, submetendo-a a uma contínua avaliação crítica e inculcando-lhe valores e formas que a impeçam de degradar-se…”.

A excitação que o caso Roberto Alvim provocou é a chance de se repensar os gastos que se tem com as estruturas de apoio à Cultura. Afinal, administrar as finanças de um Estado não pode e não deve ser só um ato de cuidar das receitas e despesas, mas também, e principalmente, de tornar eficazes os gastos e justificar o peso deles. O ato de gastar o dinheiro do contribuinte não pode ser uma ameaça ao dono do dinheiro, mas uma oportunidade fantástica de crescimento dele no seio de  uma sociedade sadia. A isso se chama estratégia.

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

O diálogo é solução

O presidente, os governadores e os prefeitos das capitais maiores, são eleitos pela maioria absoluta dos eleitores votantes. Os prefeitos das cidades menores, pela maioria simples. Então, devem eles governar para todos ou somente para aqueles que neles votaram? Certamente, a resposta será: para todos, indistintamente.

Mas, por que motivos eles fariam assim? Por consciência democrática? Por livre inspiração? Por obrigação funcional?

Pode ser, mas também pode ser que prefiram trabalhar exclusivamente para os que neles votaram. Neste caso como ficará o restante da sociedade? Porventura, ela será dispensada de pagar as despesas, de recolher impostos? Se assim fosse, quem sabe, não seria mais justo? Contudo, assim não pode ser.

Então, se todos pagam, porque só alguns, mesmo que formem a maioria, devem receber a atenção dos governantes? Não devem e não podem. Não é justo.

Para que todos os que pagam a conta sejam respeitados, há o Poder Legislativo, porque nele estão representados a maioria e as minorias, os que votaram no presidente, no governador e no prefeito e também os que não votaram. Se faltarem aos governantes, a consciência democrática, a livre inspiração ou a noção do dever funcional, lá deve estar o Poder Legislativo para obrigá-los a, pelo menos, respeitar as minorias.

Está aí colocada a melhor definição para a democracia, que tem sinônimos para todos os gostos, aplicando-se a filosofia, a sociologia, a ciência política, a ciência jurídica e palpites. O modo mais seguro de se identificar uma democracia é pela relação dos governos com as minorias.

Nos países parlamentaristas, para compor maiorias e governar, os governos precisam das minorias. Neles, quando o resultado das eleições não conduz a uma composição pelo menos razoável, a lei autoriza que o povo seja, novamente, convocado para decidir a parada. É no Parlamento que a questão se decide.

No Presidencialismo, espera-se que os governantes tenham maioria nos parlamentos, independente das composições. Quando isso não acontece, abre-se uma crise, que só será resolvida, no campo democrático, pelo diálogo entre a maioria e as minorias para composição dos interesses. Ou, pelo impeachment, experiência vasta na vida do povo brasileiro. Portanto, no Presidencialismo, os impasses são também resolvidos no Parlamento, só que de forma drástica, bem mais penosa para o povo.

Fora do campo democrático, faz-se o governo pela força ou pela compra dos votos no Parlamento. O Brasil conheceu os dois modelos.

No período dos generais, o Poder Executivo cassou mandatos até conseguir que seu partido, mesmo eleito numericamente menor, fosse transformado em maioria. Quando nem isso resolveu, os generais partiram para manipular as eleições e criar os mandatos sem voto.

Também conhecemos a formação de maiorias pela compra dos votos contrários e a história é recente o suficiente para dispensar comentários mais elaborados.

De tudo, sobra uma questão fundamental: no Presidencialismo há saída para os impasses sem o impeachment? É possível governar com o Presidencialismo? Plenamente possível, se a democracia for a pedra de esquina, a sustentação dos processos de decisão dos governos. E, democracia implica em política e a política em diálogo.

De todos os conceitos que ouvi e li sobre a política, escolhi aquele que a define como sendo a capacidade de solucionar conflitos de forma pacífica. A guerra é a exaustão da política.

O Brasil vive hoje uma circunstância edificante. Temos governos que gostam de governar exclusivamente para os seus apoiadores e temos parlamentos, onde as minorias estão representadas. Como encaixar tudo isso e fazer o país funcionar sem apelar para soluções drásticas? Pelo diálogo, pela capacidade de conversar, de ceder, de avançar sem violentar e sem exigir unanimidade. O Parlamento enquadrando o Poder Executivo para obrigá-lo a respeitar, pelo menos, respeitar e ouvir, as minorias.

A quem cabe o papel de fazer com que esse seja o método? Ao Poder Legislativo, aos parlamentos de todos os níveis. Que não se espere muito do Presidente e de governadores e prefeitos a disposição de atender aqueles que neles não votaram.

Por Jackson Vasconcelos

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

A cor dessa cidade, sou eu?

O ano meio terminava, meio começava. Os relógios, à caminho da meia-noite. Ouvia-se, de algum lugar perto, a voz gravada da Daniela Mercury: “A cor dessa cidade sou eu. O canto dessa cidade é meu. O gueto, a rua, a fé. Eu vou andando a pé pela cidade bonita. O toque do afoxé e a força  onde vem? Ninguém explica, ela é bonita…”

Estava alí uma dica para abrir o ano em que os eleitores do Brasil decidirão quem governará as cidades onde moram. Onde a cor e o canto não são, exatamente, o que deseja a Daniela Mercury. 

O desconhecimento do modo como as coisas funcionam na administração das cidades, no campo da política e da técnica, leva muita gente a acreditar que, ao escolher o prefeito estará decidindo como a cidade funcionará para que tenha a cor e o canto de cada um. Uma ilusão! 

Existem, a tocar as cidades, figuras mais importantes do que os prefeitos, porque são gente autorizada, via leis, a decidir onde e como o dinheiro do povo será gasto e se o prefeito tem e terá ou não a liberdade para cumpir o que combinou com o povo. Cabe-lhes também elaborar as leis municipais, aquelas que organizam a vida em sociedade no local onde as pessoas moram, trabalham, passam férias e revivem memórias. Essa tarefa implica em fazer o planejamento urbano, algo de absoluta complexidade e responsabilidade, para toda e qualquer cidade de qualquer tamanho. Nesse contexto, estamos a tratar de Lei Orgânica, Plano Diretor, uso do solo, direito ambiental, código de obras, impacto de vizinhança, patrimônio cultural e histórico, segurança, trânsito e outras coisas bem importantes. 

Os vereadores, figuras que pouco gente conhece, mas nas quais quase toda gente vota, são políticos que formam uma turma com poder até para tirar o prefeito, que o povo julgou ser a escolha mais importante a fazer. Eis aqui uma questão a ser avaliada também pelos candidatos a prefeito quando escolhem os candidatos a vereador que apoiam. 

Por não serem percebidos e poderem atuar na penumbra, alguns vereadores se frustram, enquanto outros fazem miséria. No resultado final, sofre o povo, porque as cidades perdem a cor, o canto e o encanto. Elas passam a servir, exclusivamente, de pasto para os interesses não muito claros de grupos que têm o poder de agir nos corredores e bastidores, para influenciar as decisões, um caminho que até o crime mais rasteiro já descobriu e tem feito uso.

Estamos diante de um problema que sugere uma solução estratégica clara, se desejamos ter cidades melhores, com mais qualidade de vida, onde possamos viver, trabalhar e curtir a vida com alguma paz: a seleção bem avaliada dos candidatos às prefeituras, mas também às câmaras municipais para, na hora do “vamos ver”, na cabine de votação, se ter a convicção, ou pelo menos a percepção, de que se fez a escolha certa.

Feliz ano novo!

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.