Campanhas para líderes e para patrões

liderançaSe uma empresa e um empreendimento conseguem melhor resultado, quando têm um líder na ponta, uma campanha eleitoral não pode prescindir de um. Ela é produto da política, que só funciona movida pela emoção, seja boa, seja ruim.

Portanto, a primeira questão a perceber numa proposta para tocar uma campanha eleitoral é se à frente dela está um líder. Caso não, nem continue. O processo estará fadado ao completo insucesso. E como saber se estamos diante de um líder ou não, uma vez que um dos domínios da política é a imagem, bem mais do que a realidade, situação que tem o poder de fazer alguém parecer o que não é? O significado de um verbo pode definir tudo: motivar.

Uma campanha mexe com gente, nas duas pontas. Gente que leva a mensagem, seja ela embalada em programas de TV, de rádio, em santinhos, faixas, conversas ao pé do ouvido, confissões e boatos. E, gente que recebe a mensagem, o eleitor de ponta. Por que de ponta? Porque o eleitor primário, o que pertence ao início e fim do processo, é o que trabalha na campanha. Esse também é eleitor e, seguramente, o mais importante de todos eles, pelo poder demolidor que tem. Quem trabalha com o candidato tem fé pública naquilo que fala dele.

Gente você pode motivar ou empurrar. Certo? A equipe é a primeira prova de se estar diante de um líder ou não. Se ela é empurrada exclusivamente pela remuneração financeira, o candidato não é um líder. Mas, se ela é motivada pelo “salário emocional”, aquele que, independente do valor faz a pessoa trabalhar com olho no resultado, o candidato é um líder.

Conheci campanhas ao longo da vida. As mais fáceis nunca foram as mais recheadas de dinheiro. De jeito algum. Foram as que valorizaram as pessoas, primeiro da equipe, depois as de fora dela, aquelas com as quais os candidatos se relacionam todos os dias, o guardador de carros, o empregado doméstico, o guarda da esquina, o empreendedor da loja vizinha.

Um ambiente de campanha que não transpira liberdade criativa e encorajamento para ousar, porque é dominado por um candidato ranheta, que tem mais jeito de patrão do que de político, tem risco maior de levar à derrota. Candidato ranheta, patrão, aquele que só transmite o poder do dinheiro que pagará pelo trabalho, até vence eleição, mas ela custa uma fortuna e a cada rodada (disputa de novos mandatos) custará bem mais.

A motivação da equipe é coisa contagiosa. O eleitor percebe, compra a emoção e leva embrulhada nela o discurso, o sonho, que o voto poderá transformar em realidade. Candidato que empurra a equipe tropeça no eleitor. Precisa ser malabarista para não cair do trapézio e se espatifar no chão.

E se ainda resta alguma dúvida sobre a diferença de caráter entre o candidato que empurra e o candidato que motiva, lembre do paradoxo: Dilma-Lula.

Sempre gostei de trabalhar nas campanhas de lideres, mas já fiz campanhas para patrões. As que fiz para patrões só me arrependem pelo preço que cobrei. Deveria ter sido bem maior.

Por Jackson Vasconcelos

 

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