Brasileirão, no jeitinho brasileiro

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Começou o Campeonato Brasileiro de Futebol 2015. Já imaginou o que é enfrentar um desafio como essa competição sem planejar coisa alguma ou, pelo menos, cada etapa, que no campeonato recebe o nome de rodada? Vinte clubes foram selecionados à disputa no ano passado. Um de Goiás, um de Pernambuco, dois do Rio Grande do Sul, dois do Paraná, quatro de Santa Catarina, cinco de São Paulo, três do Rio de Janeiro e dois de Minas Gerais.

Durante oito meses, cada clube jogará duas vezes com seus adversários. Uma vez em casa e outra na casa do rival. O regulamento obriga cada time, portanto, a fazer viagens, buscar hospedagens, locais de concentração, de treino, alimentação, incentivar os torcedores e coisas tais.

Mas, para os jogos em casa, há também muita logística e a necessidade de um trabalho intensivo de convocação e convencimento da torcida.

O campeonato é de pontos corridos, com uma série de acontecimentos que classificam os times e desempatam a disputa. Situações como saldos de gols, maior número de vitórias e etc. Então, cada movimento em campo pode ser importante para a classificação ou decisivo para evitar o rebaixamento.

Os jogadores estarão sujeitos durante todo o campeonato, a ocorrências de lesões, a expulsões de campo, a cartões amarelos que colocam em risco a participação nos jogos seguintes e, novamente, etc.

O time que alcançar o maior número de pontos será campeão. Os quatro primeiros colocados estarão aptos a disputar a Taça Libertadores e qualquer um deles poderá conquistar o título de campeão mundial. Os quatro últimos serão, desgraçadamente, rebaixados para a Série “B”.

Mas, o que eu tenho visto, lido e ouvido durante os campeonatos dos anos anteriores e mesmo neste, me autoriza a acreditar que os dirigentes entram no Brasileirão como vão os caçadores incautos ao mato sem cachorro. Contratam jogadores, que chamam de reforços, simplesmente, porque bons dirigentes são os que contratam. Pega bem contratar.

Ora, como sabem que precisam de reforços se não gastam tempo na análise do potencial de seus adversários? E, como sei que não gastam tempo nisso? Porque as escalações só aparecem no tempo final de concentração para cada jogo e carregadas de evidentes improvisações.

E os tais esquemas táticos? Já existe professor por aí a fazer esquemas táticos pra si sem trabalhar os dos adversários. E, meus caros, se há no mundo das estratégias, algo sem valor, esse algo são os esquemas táticos próprios, que desconsideram os dos seus adversários. É a mais antiga lição que deu o Garrincha ao Feola.

O campeonato está aí. A primeira rodada já foi. Alguém ouviu falar de campanhas de apoio à presença dos torcedores para os jogos fora de casa? É possível acreditar que os dirigentes saibam, desde já, o custo que determinará o preço dos ingressos?

Improvisar é bem coisa do jeitinho brasileiro. Mas, é tarefa de risco mesmo quando se tem dinheiro para gastar e rasgar. Imaginem o que é isso numa situação de penúria, como andam os times brasileiros, em especial os do Rio de Janeiro.

Por Jackson Vasconcelos

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