Brasileirão, a ciranda de técnicos

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“Ciranda, cirandinha / Vamos todos cirandar! / Vamos dar a meia volta / Volta e meia vamos dar / Por isso, dona Rosa / Entre dentro desta roda / Diga um verso bem bonito / Diga adeus e vá se embora”
.

Neste fim de semana começa o Brasileirão 2015 e, pelo o que mostra o histórico dos últimos campeonatos, daqui a pouco tem início também a dança das cadeiras para os técnicos. Contudo, para quem não conhece o modo como funciona o futebol brasileiro pode parecer que os times estão com técnicos recentes, exatamente, para enfrentar o Brasileiro. Coisa de clubes que trabalham sem planejamento.

O passado não autoriza o raciocínio e, sobre ele, trago duas indicações de leitura. Uma da notícia publicada pela Folha de São Paulo em 17 de dezembro de 2013, intitulada “Novatos encabeçam troca de técnicos para 2014″. Outra de um blog bem interessante sobre futebol, o Pombo sem Asa, do Globoesporte.com, em “Mais de 130 treinadores já foram demitidos no futebol brasileiro em 2014”. 

Da notícia da Folha, destaco dois pontos: O primeiro, sobre o desemprego de alguns técnicos de proa:

– Tite, por conveniência pessoal, a notícia não diz, mas a gente sabia.
– Vanderlei Luxemburgo, agora no Flamengo – novamente no Flamengo –, por onde passou em 1991, depois em 1995 e 2012. Retornou em 2014.
– Dunga, que agora está à frente da Seleção Brasileira.
– Falcão, Dorival Junior, Renato Gaúcho, Celso Roth e Leão, que permanecem sem clube.

O outro ponto que destaco da notícia da Folha para atualizar é o caso do Enderson Moreira, que surgia no mundo do futebol brasileiro como boa revelação. Ele teve uma passagem curta, mas fantástica pelo Fluminense, no tempo em que eu andava por lá. De lá, seguiu para o Goiás, também com bom desempenho. Chegou ao Grêmio, seguiu para o Santos, de onde saiu em meio uma situação nebulosa e durou pouco. Foi para o Atlético-PR, quase de passagem, para lugar nenhum. Mas, não há o que estranhar. A grande parte dos técnicos de futebol no Brasil não esquenta a cadeira.

Chama a atenção o modo como os técnicos são contratados e logo depois demitidos. Apesar de exercerem a função mais importante de coordenação do time, de preparação física e desenho tático, os técnicos são demitidos e contratados de supetão, no tranco, sem avaliação nem de resultados nem dos projetos que deverão executar.

Dos 20 clubes que disputaram a Série A em 2014, apenas oito não trocaram de técnicos no campeonato. No total, foram 23 mudanças de técnicos ao longo da competição. Além disso, apenas Corinthians e Cruzeiro atualmente permanecem com seus técnicos da temporada passada. Em 2013, foram 24 trocas; em 2012, 20; em 2011, 22 e, em 2010, 31!

No quadro abaixo, retirado do site do Globoesporte.com, a demonstração da ciranda de 2014.

Tabela.GE.071214

Outras curiosidades:

– O Brasil lidera o ranking mundial da troca de técnicos;
– Foram 31 mudanças de técnicos no Brasileirão 2010;
– No Brasil, os técnicos comandam aproximadamente 15 jogos até serem demitidos. Na Inglaterra a média é de 79 jogos. Na Alemanha, são 54.

Os clubes brasileiros não aprenderam ainda qual o papel dos técnicos num time de futebol e estamos a falar do único futebol pentacampeão do mundo. Mas, também do futebol do vexame na última Copa. Sobre o papel que entendo para os técnicos de futebol, mostro no livro que escrevi, “O Jogo dos Cartolas: Futebol e Gestão”. Estará à venda na próxima semana, na Livraria Cultura.

Por Jackson Vasconcelos

Imagens: Arte Esporte e Globoesporte.com

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