Análise: Entrevista de Vaccarezza para a CBN

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“Áudio da PF tem requintes de perversidade”, da CBN. No mar de exemplos que há por aí das consequências da ausência na vida de um político, de profissionais que saibam como lidar com crises de imagens e orientar a relação com a imprensa.

Cândido Vaccarezza veio bem na sua carreira política até a eleição passada. Perdeu, mesmo tendo sido durante o seu mandato, um político com forte exposição na mídia por ter exercido o papel de líder do governo na Câmara dos Deputados.

Vaccarezza é o personagem de hoje e o cenário é a CBN. Ele foi entrevistado pelo Milton Jung. A gente analisa:

A decisão de dar a entrevista já foi um erro, porque, por mais que fizesse, o ex-deputado Cândido Vaccarezza não conseguiria mudar o rumo da prosa. Isso ficou claro. Depois, ele abre a conversa com um ato de bajulação: “Milton, quero dizer que te respeito como jornalista, por isso aceitei conversar com você”. Isso é péssimo, porque dá ao entrevistador a percepção de fragilidade e ideia de culpa.

Em seguida ele se enrola com as palavras. A cereja do bolo ficou representada pelo diálogo a seguir, considerada a percepção ruim que a população e a imprensa têm da relação entre políticos e empresários, principalmente, quando o político é do PT.

Diálogo:
– O senhor conhece o senhor Jorge Luz?
– Conheço.
– Pessoalmente?
– Pessoalmente. Eu tinha uma relação de amizade com ele. Eu fui líder do governo. Todos os empresários já me procuraram e já conversaram comigo. Eu fui líder do governo da Dilma. Qualquer empresário procura o líder do governo.

O final foi mais trágico. O ex-deputado estica o assunto sem oferecer novidade. Volta a bajular o entrevistador: “e como eu disse, só conversei isso com você”. Acusa um colega do jornalista, alguém do Estadão, que ele diz ter mentido e age como se tivesse mastigando alguma coisa que não consegue fazer descer. O entrevistador então interrompe, se despede e, como se o desastre da entrevista não fosse suficiente, o ex-deputado termina com a seguinte pérola: “Parabéns pelo seu jornalismo”.

– “Áudio da PF tem requintes de perversidade” (CBN)

 

Por Jackson Vasconcelos

Foto: Marcello Casal Jr/aBr

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