Abel Braga: Técnico ou líder?

Líder, sem dúvida.

Foto: Divulgação FFC

Há dois meses, ninguém apostava um centavo na conquista pelo Fluminense de uma medalha de lata. Mas, o time está aí, campeão da Taça Rio. Sem grana, com dívidas a dar com pau, sem ídolos e sem patrocínio de bom tamanho. Motivo? O time tem um líder, na cadeira de técnico.

Em 2012, o Fluminense foi campeão Carioca e campeão Brasileiro. Abel era o técnico. Poucos meses depois e após algumas derrotas sem importância, os presidentes do Fluminense e da patrocinadora do time, demitiram Abel.

No livro, “O Jogo dos Cartolas”, comentei o fato em duas passagens: Na página 141, onde está meu único diálogo com o Presidente da Unimed-Rio, quando me posicionei firme contra a saída do Abel. E na página 152, ao comentar o fato já ocorrido. Escrevi:

“Abel Braga, a despeito de ter dado ao Fluminense os títulos de campeão Carioca e campeão Brasileiro, assim que perdeu alguns jogos sem importância, foi trocado por Vanderlei Luxemburgo. Esta substituição custou muito caro à imagem do Fluminense e, como consequência, empurrou o time ladeira abaixo na tabela do Campeonato Brasileiro. A decisão de trocar Abel por Luxemburgo deu, no Fluminense, espaço para ocorrer o fenômeno verificado no modelo estratégico dos governos pela escritora Barbara W. Tuchman, autora da obra A Marcha da Insensatez – de Tróia ao Vietnã.

Diz ela: “Fenômeno observável ao longo da História, que não se atém a lugares ou períodos, tem sido o da busca, pelo governos, de políticas contrárias aos seus próprios interesses”.

Após Abel, o Fluminense caminhou errante e assim seguiu até o retorno dele.

Abel reencontrou o clube com um presidente sem personalidade, com coração que tem uma queda pelo principal rival, uma diretoria insossa, que só faz política e não encontrou ídolos, jogadores brilhantes, nem patrocinador peitudo com muito dinheiro. E, o destino ainda lhe pregou uma peça. Mas, ele segue salvando a dignidade de uma camisa que tem história. Uma história que ele, por ser líder, ajuda a manter com dignidade e a construir com novas glórias.

Num país sem liderança, é sempre bom ter casos em que a liderança funciona a favor do bem.

Por Jackson Vasconcelos

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